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[Tamos falando aqui do banquete romano que realizei com a ajuda e colaboração de amigos. A ideia nasceu em discussões deste blog e do anterior, que deu origem a esse.]

O Gustum é o antepasto.
Escolhi esse especificamente, pois, além de ser recheado, levava miolo. Ou seja, atendia a dois critérios que eu buscava. Continuar Lendo »

Sim, caros leitores: nossa loucura e persistência deu resultado. Conseguimos realizar nosso primeiro banquete romano, baseado no livro De re coquinaria de Apicius, o manual culinário da Roma imperial. De cara, já dá pra dizer que alguns preparos vieram pra ficar.
Como um post com todas as 9 receitas ficaria imenso (pra variar…), é melhor irmos por partes. Nesse, vamos só ver o plano geral do menu. Continuar Lendo »

Outro dia encontrei uns leitores – acredite! eles existem – que reclamaram: pô, no teu blog só tem receita complicada! põe umas mais exequíveis pra gente!

É, de fato. Dizem as más línguas que eu só gosto de cozinha complicada. Mentira: gosto mesmo de pratos elaborados, mas não exclusivamente. Então, atendendo a pedidos, publico aqui umas bem simples, mas matadoras. Sempre dão certo, não tem como errar.

Aproveito ainda a data: amanhã minha mãe faria aniversário (daqui a alguns minutos, na verdade). A gente nunca sabe identificar direito quais as nossas próprias influências, falta distância crítica. Mas, nesse caso, acho que dá pra afirmar que minha mãe Donatella provavelmente ainda continua como minha influência culinária mais efetiva. Continuar Lendo »

Segundo uma possível interpretação minha (estou tentando expô-la desde o post anterior), vários elementos, nos primeiros parágrafos do livro do Gênesis, preparavam terreno para o surgimento da agricultura como forma de subsistência do Homem. No entanto, nessa Idade de Ouro, há uma condição ainda não realizada para o seu advento. Por enquanto, só quem planta é a divindade ela mesma; ao Homem cabe apenas usufruir desse trabalho prévio: Continuar Lendo »

Muitas narrativas mitológicas estão impregnadas de uma forte simbologia “alimentar”. O de-comer; a lida pela sobrevivência; o sacrifício; a pureza; a saúde; a comensalidade; o prazer; a celebração e o excesso, materializados na produção, preparo e consumo da comida e bebida, perpassam inúmeros momentos (mesmo tópoi) do discurso mítico. E outros também, se quisermos enxergar o mundo assim.
Só é preciso não querer transfomar essa lente num esquema, num vício interpretativo que, além de inócuo, fica chato pra cacete. Tá, “tudo pode ser visto pelo ponto de vista da alimentação”… mas: isso nos interessa? Continuar Lendo »

Noções AC

Não conheço história de São Paulo (aliás, quase História nenhuma, mas isso não vem ao caso). No entanto, tenho pesquisado um pouco, quase sempre algo a ver com um assunto culinário-alimentício. Misturo neste post um pouco de ambas, passando por parte de minha própria história familiar.

tamanduatei

Embora devesse ter o mesmo jeitão, esse não é o Anhangabaú, mas o Tamanduateí.

Lá pelos anos 1880, o entorno do Anhangabaú tinha uma conformação completamente diferente da que conhecemos: havia outras ruas, que hoje não há; não existia a praça do Patriarca, nem o viaduto, e mais um bocado de outras coisas (é: nem o Silvio Santos). Daquele lado, a “cidade velha” (o Triângulo) se esplanava vale abaixo, a oeste. Às margens do córrego, havia chácaras. Meu bisavô, de quem herdei o prenome, comprava no vale do Anhangabaú a verdura lá cultivada, ainda no final da década.

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E as sobremesas sicilianas? Sem comparação. Ainda mais se comidas lá…
E eu, que só experimentei no continente? (Pensando bem, já comi das autênticas sicilianas, sim: talvez não na ilha, mas certamente algumas provenientes da Sicília – minha mãe tinha essas cabeças-durices, que herdei, que a faziam trazer, no trem para Roma e depois no voo para São Paulo, por exemplo laranjas e abricós de marzipan – I mean it, o verdadeiro, não esse simulacro que cá nessas bandas comemos, de castanha-do-pará; os artistas que as pintam e lhes dão acabamento não se encontram – ou não se encontravam, até uns anos atrás – com essa qualidade nem mesmo na Itália: é outra especialidade insular.)
E se estivermos, ainda por cima, em outro continente?! Caso perdido?

Calma, calma. Seus problemas acabaram. Ou começaram, dependendo do ponto de vista. Continuar Lendo »

Não consigo expressar meu assombro ante o fato de haver perecido toda memória a respeito de algumas espécies de plantas; até mesmo os próprios nomes de algumas, mencionadas por vários autores, se perdeu. Entretanto, quem não admitiria que agora, quando as intercomunicações se estabeleceram entre todas as partes do mundo, a civilização e as artes da vida tiveram um rápido progresso, graças ao intercâmbio de mercadorias e, comum a todos, ao gozo da bênção da paz; e que, ao mesmo tempo, uma multidão de artigos, antes ocultos, agora se revelam para nosso uso indiscriminado?
Ainda assim, por Hércules! hoje em dia não se vê ninguém com o mínimo conhecimento do que os antigos escritores nos legaram; tão mais compreensiva era a pesquisa diligente de nossos antepassados, assim como sua indústria, empregada com tanta mais felicidade.
A moda dita novos costumes e usanças, não há dúvida. As mentes dos homens estão ocupadas com objetos de natureza totalmente diversa; as artes da avareza, de fato, são as únicas cultivadas hoje em dia. Continuar Lendo »

Bem, aqui sigo eu no meu alheamento… Não sei se esse blog é democrático ou não (atributo que tem sido alvo de críticas recentes); mas seja como for, num caso ou no outro, sinto-me no pleno direito de postar aqui as minhas bobagens, à margem do atual conflito universitário, mas também cá com alguma perspectiva histórica, vá. Todos aqui já perceberam que estou mais pra “papinha” do que pra “pimenta”. Cada um no seu quadrado.

Estava falando das várias representações da comida na obra de Gilberto Freyre – ricas e, às vezes, um pouco contraditórias. Continuar Lendo »

Assoberbados

Abandonados e náufragos também parecem os brasileiros retratados por Gilberto Freyre em Sobrados & mucambos. Ao menos boa parte deles, do ponto de vista alimentício.
É um tanto paradoxal. Se a compararmos à dos porteños dos sécs. 16 ou 17, a situação dos brasileiros poderia ser o paraíso. Mas calma. Pra começo de conversa, estamos falando quase de um continente. Não dá pra botar o Brasil inteiro no mesmo saco, seja qual for a perspectiva. Mas imaginar populações inteiras subnutridas ou carentes de carne, peixe e verduras num país como o nosso, num passado não tão distante (pra não falar dos dias atuais), é um desafio a toda fantasia e razoabilidade. E, no entanto, é fato. Continuar Lendo »

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